O transplante de fígado é uma importante opção de tratamento para a insuficiência hepática aguda, para a doença hepática em estágio terminal e para alguns tumores hepáticos. No entanto, esse procedimento geralmente não é a primeira linha de tratamento. A decisão de indicar o transplante e incluir o paciente em lista passa por uma série de fatores e uma análise criteriosa de risco-benefício.
Neste artigo, o Dr. Marcelo Souto, especialista em Cirurgia do Aparelho Digestivo, explica de forma clara e acessível quando o transplante de fígado é indicado, quais são suas contraindicações, que exames são necessários e quais os cuidados envolvidos nesse processo complexo.
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Índice de tópicos
- O que é o transplante de fígado
- Análise de risco-benefício na indicação do transplante
- Principais indicações para o transplante de fígado
- Contraindicações para o transplante hepático
- Exames realizados no candidato a transplante
- Conclusão e orientação especializada
“A decisão de indicar um transplante de fígado não é simples. Trata-se de uma análise de risco-benefício, que leva em conta fatores como o risco cirúrgico, a doença de base e os efeitos da imunossupressão.”
— Dr. Marcelo Souto
1. O que é o transplante de fígado
O transplante de fígado consiste na substituição de um fígado doente por um órgão saudável, proveniente de um doador falecido ou, em alguns casos, de um doador vivo. É um procedimento cirúrgico complexo, geralmente reservado para situações nas quais o fígado não é mais capaz de exercer suas funções vitais e outras formas de tratamento já não são eficazes.
A principal função do fígado é atuar como um filtro para o sangue proveniente do trato digestivo, metabolizando toxinas, produzindo proteínas importantes para a coagulação, armazenando energia e participando de processos imunológicos. Quando o fígado entra em falência, o organismo passa a sofrer consequências sistêmicas graves.
2. Análise de risco-benefício na indicação do transplante
A decisão de incluir um paciente na lista de transplante hepático envolve uma análise detalhada de risco-benefício. São avaliados:
- O risco cirúrgico individual
- A doença de base que motivou a indicação de transplante
- A capacidade de adesão ao tratamento e às medicações imunossupressoras
A imunossupressão, necessária para evitar a rejeição do novo órgão, exige o uso contínuo de medicamentos que reduzem a resposta imunológica do paciente. Por isso, é fundamental avaliar a capacidade do paciente e de sua rede de apoio de seguir corretamente o plano terapêutico no pós-operatório.
3. Principais indicações para o transplante de fígado
Insuficiência hepática aguda
A insuficiência hepática aguda caracteriza-se pela perda rápida da função do fígado, geralmente em um período inferior a 26 semanas. O sintoma mais característico é a encefalopatia hepática, que corresponde à alteração do estado mental causada pela disfunção do fígado e pelo edema cerebral.
Essa condição pode evoluir de forma imprevisível, tanto para a recuperação completa quanto para o óbito. Por isso, a atuação de uma equipe médica especializada é essencial para identificar o momento certo de indicar o transplante.
Cirrose descompensada
A cirrose hepática é o resultado de agressões crônicas ao fígado, como:
- Infecção pelos vírus da hepatite B ou C
- Consumo prolongado de bebidas alcoólicas
- Doenças autoimunes ou metabólicas
Essas agressões levam à formação de cicatrizes (fibrose), que alteram a arquitetura do fígado e prejudicam sua capacidade regenerativa. Com o avanço da doença, surgem as descompensações clínicas, como:
- Varizes no esôfago e estômago
- Ascite (acúmulo de líquido no abdômen)
- Encefalopatia hepática
- Síndrome hepatorrenal (comprometimento da função renal)
A recorrência dessas complicações indica que o fígado perdeu sua funcionalidade e que o transplante pode ser a melhor opção terapêutica.
Câncer de fígado (hepatocarcinoma)
No contexto da cirrose, o fígado pode desenvolver hepatocarcinoma, um tipo de câncer agressivo. A indicação de transplante nesse cenário depende:
- Do número e do tamanho dos nódulos
- Da ausência de invasão vascular e metástases
- Da resposta a outros tratamentos, como ressecção cirúrgica, ablação e quimioembolização
O transplante pode ser curativo em pacientes com hepatocarcinoma dentro de critérios bem estabelecidos (como os Critérios de Milão).
Outras doenças hepáticas
Há também doenças metabólicas, anatômicas e vasculares que podem justificar a inclusão do paciente na lista para transplante, como:
- Doença hepática policística
- Atresia de vias biliares (em crianças)
- Doenças genéticas ou autoimunes com comprometimento hepático progressivo
4. Contraindicações para o transplante hepático
Algumas condições impedem ou dificultam a realização do transplante de fígado. As principais contraindicações incluem:
- Doença cardíaca ou pulmonar grave irreversível, com risco cirúrgico considerado proibitivo
- Câncer ativo fora do fígado, exceto quando o hepatocarcinoma é passível de tratamento com o transplante
- Trombose extensa da circulação porta hepática, que impossibilita a realização segura do procedimento
- Infecções não controladas, que representam risco grave durante e após a cirurgia
- Má adesão a tratamentos médicos e ausência de suporte social adequado
- Consumo ativo de bebidas alcoólicas
- Tabagismo não cessado, que pode comprometer os resultados do pós-operatório
Esses fatores precisam ser avaliados com cuidado, e em alguns casos, podem ser revertidos com tratamento adequado, reabilitação ou suporte psicológico e social.
5. Exames realizados no candidato a transplante
O processo de avaliação para transplante hepático é detalhado e multidisciplinar. Envolve uma série de exames e consultas com especialistas, com o objetivo de garantir que o paciente esteja clinicamente apto a passar pela cirurgia e seguir com o tratamento pós-operatório. Entre os exames estão:
Exames laboratoriais
- Exames de sangue e urina
- Sorologias para hepatites, HIV e outras infecções
Avaliação cardíaca
- Eletrocardiograma
- Ecocardiograma
- Angiotomografia de coronárias (em casos selecionados)
Avaliação pulmonar
- Gasometria arterial
- Oximetria de pulso
- Tomografia de tórax
- Espirometria (quando indicada)
Avaliações complementares
- Ultrassonografia abdominal com doppler
- Endoscopia digestiva alta
- Colonoscopia, mamografia, Papanicolaou, PSA (rastreamento oncológico)
- Teste tuberculínico
- Avaliação psicossocial com equipe de saúde mental
Esses exames buscam avaliar a função dos principais órgãos, descartar doenças infecciosas ou oncológicas e garantir que o paciente tenha suporte social e psicológico para o tratamento.
6. Conclusão e orientação especializada
O transplante de fígado é um procedimento que salva vidas, mas exige critérios rigorosos de indicação, preparo detalhado e acompanhamento especializado. A decisão de incluir um paciente na fila de transplante deve sempre ser baseada em evidências clínicas, experiência médica e no entendimento completo do quadro de saúde do paciente.
O Dr. Marcelo Souto atua com excelência no cuidado de pacientes com doenças hepáticas graves. Sua experiência cirúrgica, aliada ao acompanhamento multidisciplinar, oferece segurança e acolhimento em todas as etapas do processo.
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