O transplante de fígado é uma das cirurgias mais complexas da medicina moderna. Envolve não apenas a substituição de um órgão vital, mas também a conexão precisa de vasos sanguíneos e vias biliares, exigindo alta especialização técnica e precisão cirúrgica.
Neste artigo, o Dr. Marcelo Souto, especialista em Cirurgia do Aparelho Digestivo, explica em detalhes o que acontece durante a cirurgia de transplante de fígado — desde a retirada do fígado doente até a implantação do novo órgão.
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Índice de tópicos
- Entendendo a anatomia do fígado
- Preparação para a cirurgia
- Etapas da cirurgia de transplante de fígado
- Conexões vasculares e da via biliar
- Transfusões durante o procedimento
- Pós-operatório imediato: UTI e recuperação
- Conclusão
1. Entendendo a anatomia do fígado
O fígado é um órgão que recebe sangue de duas fontes:
- Artéria hepática, que leva sangue arterial diretamente da aorta.
- Veia porta hepática, que carrega sangue proveniente dos intestinos e do baço.
O sangue “escoado” do fígado retorna ao coração através de três grandes veias hepáticas. Após ser oxigenado nos pulmões, ele é bombeado novamente para o corpo.
2. Preparação para a cirurgia
Antes do início do procedimento, o paciente é anestesiado e submetido à monitorização rigorosa em centro cirúrgico especializado. Equipes médicas e de enfermagem atuam de forma integrada para garantir segurança, controle hemodinâmico e acesso rápido aos recursos necessários, como hemoderivados.
3. Etapas da cirurgia de transplante de fígado
A primeira fase consiste na retirada do fígado comprometido. Para isso, são secionados:
- Artéria hepática e veia porta (vasos de chegada de sangue)
- Veias hepáticas (vasos de escoamento)
- Via biliar (canal que leva a bile do fígado ao intestino)
- Ligamentos que sustentam o fígado no abdome
Com o órgão removido, inicia-se o preparo para o implante do novo fígado.
4. Conexões vasculares e da via biliar
O implante do novo fígado exige a realização de anastomoses — emendas delicadas entre os vasos sanguíneos e a via biliar do doador e do receptor.
Essas anastomoses incluem:
- Veia porta
- Veias hepáticas (reunidas em uma “boca única”)
- Artéria hepática
- Via biliar
Algumas dessas suturas são feitas com fios extremamente finos e com auxílio de lupas cirúrgicas, dada a delicadeza das estruturas envolvidas.
5. Transfusões durante o procedimento
Pacientes com doença hepática avançada geralmente apresentam:
- Veias varicosas ao redor do fígado
- Alterações na coagulação
Essas condições aumentam o risco de sangramentos, tornando frequente — embora não obrigatória — a necessidade de transfusão de hemoderivados durante a cirurgia.
6. Pós-operatório imediato: UTI e recuperação
Após o término da cirurgia, o paciente é encaminhado à Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), onde permanece nos primeiros dias para:
- Monitoramento contínuo da função hepática
- Controle da pressão arterial, glicemia e coagulação
- Ajuste das medicações imunossupressoras
A recuperação evolui conforme a estabilidade clínica. Quando apropriado, o paciente é transferido para um leito de enfermaria, dando início a uma nova fase do acompanhamento pós-transplante.
7. Conclusão
A cirurgia de transplante de fígado é um procedimento de alta complexidade que exige precisão milimétrica, conhecimento profundo da anatomia hepática e experiência da equipe multidisciplinar. O sucesso depende tanto da técnica cirúrgica quanto do preparo prévio e do cuidado intensivo no pós-operatório imediato.
O Dr. Marcelo Souto atua em equipes especializadas em transplante hepático, oferecendo acompanhamento completo e humanizado em todas as fases — do diagnóstico à recuperação.
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