A cirrose hepática é uma condição crônica e progressiva caracterizada pela formação de cicatrizes (fibrose) no fígado, resultado de agressões persistentes ao órgão. Essas alterações estruturais comprometem a capacidade de regeneração hepática e levam à perda gradual de sua função. Em estágios avançados, a doença torna-se irreversível e pode evoluir com complicações graves.
Neste artigo, o Dr. Marcelo Souto, especialista em Cirurgia do Aparelho Digestivo, explica o que é a cirrose, suas causas, sintomas, principais complicações e quando o transplante de fígado se torna uma opção necessária.
Tempo de leitura: 7 minutos
Índice de tópicos
- O que é a cirrose hepática?
- Causas mais comuns da cirrose
- Sintomas iniciais e sinais de alerta
- Complicações da cirrose
- Tratamento e prevenção
- Quando indicar transplante de fígado
- Conclusão e orientação especializada
“A ocorrência frequente de descompensações é um indicativo do momento em que o transplante passa a ser uma importante opção de tratamento.”
— Dr. Marcelo Souto
1. O que é a cirrose hepática?
A cirrose é a consequência de lesões crônicas e repetidas no fígado, que provocam a substituição do tecido saudável por tecido cicatricial (fibrose). Ao longo do tempo, essa regeneração desorganizada altera a arquitetura do órgão e compromete suas funções vitais, como:
- Metabolismo de toxinas
- Produção de proteínas de coagulação
- Armazenamento de vitaminas
- Regulação do colesterol e da glicose
Nos estágios iniciais, a doença pode ser silenciosa. Com a progressão, surgem complicações graves, associadas ao aumento da pressão na circulação porta hepática e à falência funcional do fígado.
A cirrose é hoje a sétima causa de morte no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde.
2. Causas mais comuns da cirrose
Entre os principais fatores responsáveis pela cirrose hepática, destacam-se:
- Consumo crônico de álcool
- Infecção crônica pelos vírus da hepatite B e C
- Doenças autoimunes do fígado
- Doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (antiga doença hepática gordurosa não alcoólica)
- Doenças genéticas como a Doença de Wilson
A persistência dessas agressões leva à inflamação crônica e ao acúmulo progressivo de fibrose no tecido hepático.
3. Sintomas iniciais e sinais de alerta
Nos estágios iniciais, a cirrose pode ser assintomática e descoberta apenas em exames laboratoriais ou de imagem. Conforme a doença evolui, podem surgir sintomas como:
- Fadiga e fraqueza
- Inchaço nas pernas
- Estufamento abdominal
- Icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos)
- Coceira no corpo
- Câimbras musculares
- Perda de apetite e de massa magra
- Equimoses (manchas roxas espontâneas)
A transição da cirrose compensada para a descompensada marca um ponto crítico da evolução da doença e indica piora no prognóstico.
4. Complicações da cirrose
As complicações mais comuns da cirrose resultam do aumento da pressão na veia porta (hipertensão portal) e da falência das funções hepáticas:
Hemorragia digestiva alta
Causada por sangramento das varizes esofágicas ou gástricas. É uma emergência médica grave que exige atendimento em UTI, transfusões e ligaduras por endoscopia.
Ascite
Acúmulo de líquido na cavidade abdominal. Provoca desconforto, sensação de peso e dificuldade respiratória. Pode evoluir para peritonite bacteriana espontânea.
Encefalopatia hepática
Desordem neurológica causada pelo acúmulo de toxinas. Manifesta-se com alterações do sono, confusão mental, perda de equilíbrio e, nos casos graves, coma.
Síndrome hepatorrenal
Declínio da função renal em pacientes com cirrose descompensada. Ocorre devido a um desequilíbrio circulatório e tem alto potencial de gravidade.
Síndrome hepatopulmonar
Caracteriza-se por má oxigenação do sangue (hipoxemia) relacionada à dilatação dos vasos pulmonares.
Hepatocarcinoma
O tipo de câncer mais associado à cirrose. Surge em até 90% dos casos de carcinoma hepatocelular e exige vigilância constante com exames de imagem.
5. Tratamento e prevenção
O tratamento da cirrose envolve a identificação da causa base e o controle das complicações:
- Cessação do consumo de álcool
- Uso de antivirais para hepatite C
- Imunossupressão para doenças autoimunes
- Evitar medicamentos hepatotóxicos
- Vacinação contra hepatite A e B
Para o manejo das complicações:
- Ligadura elástica por endoscopia em varizes esofágicas
- Diuréticos para controle da ascite
- Laxativos como a lactulose para encefalopatia
- Exames regulares de imagem para rastreio de hepatocarcinoma
Essas medidas ajudam a retardar a progressão da doença e a preservar a função hepática.
6. Quando indicar transplante de fígado
O transplante não é indicado em todos os casos de cirrose. Nos estágios iniciais e sem complicações, o paciente pode ter um bom prognóstico apenas com tratamento clínico.
Porém, a ocorrência frequente de descompensações (como ascite recorrente, encefalopatia ou sangramento digestivo) sinaliza a necessidade de avaliação para transplante hepático.
O escore MELD (Model for End-Stage Liver Disease) é utilizado para estimar o risco de mortalidade e ranquear os pacientes na lista de transplante. Quanto maior o escore, maior a prioridade.
7. Conclusão e orientação especializada
A cirrose hepática é uma das doenças crônicas mais impactantes do sistema digestivo. Reconhecer seus sinais, controlar os fatores de risco e acompanhar com um especialista são atitudes essenciais para evitar desfechos graves.
O Dr. Marcelo Souto possui ampla experiência no diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes com cirrose hepática, oferecendo atendimento especializado, humano e atualizado com as melhores práticas clínicas.
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