O escore MELD (Model for End-Stage Liver Disease, ou “modelo para doença hepática em estágio terminal”) é uma ferramenta essencial na hepatologia moderna. Criado para estimar a gravidade das doenças hepáticas crônicas e o risco de mortalidade, tornou-se o principal critério para a lista de transplante de fígado. Neste artigo, o Dr. Marcelo Souto explica como o MELD funciona, quais são suas variáveis, por que ele é utilizado e quais são suas limitações.
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Índice de tópicos
- O que é o escore MELD?
- Como o escore MELD é calculado
- Evolução do MELD: MELD-Na e MELD 3.0
- Para que serve o MELD no transplante de fígado
- Como funciona a lista de transplante com base no MELD
- Situações especiais: quando o MELD não é suficiente
- Conclusão: a importância do acompanhamento especializado
1. O que é o escore MELD?
O MELD é um escore utilizado para prever a gravidade das doenças hepáticas crônicas e o risco de morte a curto prazo. Inicialmente desenvolvido em 2000 para avaliar a mortalidade de pacientes submetidos ao TIPS (derivação portossistêmica intra-hepática transjugular), o MELD passou a ser utilizado na gestão da lista de transplante de fígado nos Estados Unidos em 2002 e, no Brasil, a partir de 2006.
Seu uso visa garantir que os órgãos doados sejam destinados aos pacientes com maior risco de morte sem o transplante.
2. Como o escore MELD é calculado
A primeira versão do escore MELD incluía três exames laboratoriais:
- Creatinina: avalia a função renal
- Bilirrubina: reflete a capacidade do fígado de processar a bilirrubina
- INR (tempo de protrombina): indica a capacidade do fígado de sintetizar fatores de coagulação
A fórmula original era:
MELD = 3.8 x loge(bilirrubina [mg/dL]) + 11.2 x loge(INR) + 9.6 x loge(creatinina [mg/dL]) + 6.4
Para evitar distorções, foram definidos valores mínimos (6) e máximos (40) para o escore, e a creatinina teve limite superior fixado em 4 mg/dL. Mulheres e pacientes com menor massa muscular, por apresentarem creatinina mais baixa, muitas vezes eram subestimados pelo escore original.
3. Evolução do MELD: MELD-Na e MELD 3.0
Com o tempo, o escore MELD foi ajustado:
- MELD-Na: inclui a sódio sérico como variável, melhorando a precisão na estratificação do risco, especialmente em pacientes com hiponatremia.
- MELD 3.0: inclui as variáveis de gênero e albumina, buscando corrigir distorções anteriores e tornar o escore mais equitativo entre os sexos.
4. Para que serve o MELD no transplante de fígado
O escore MELD tem papel central na definição de prioridade para transplante. Pacientes com escores mais altos têm maior risco de mortalidade e, portanto, prioridade na lista. Isso também contribui para reduzir a mortalidade de pacientes em lista de espera.
Por outro lado, pacientes com escore MELD baixo geralmente apresentam melhor sobrevida sem transplante, o que justifica a observação clínica até que a indicação seja clara.
5. Como funciona a lista de transplante com base no MELD
A lista é organizada de acordo com:
- Grupo sanguíneo do paciente
- Escore MELD atualizado (via exames periódicos)
- Tempo de permanência em lista, em caso de empate de escores
Inicialmente, os órgãos são oferecidos para receptores do mesmo estado. Caso não haja compatibilidade, o órgão é redistribuído em nível nacional.
6. Situações especiais: quando o MELD não é suficiente
Apesar de eficaz, o MELD não contempla todas as condições clínicas que indicam gravidade. Por isso, há situações de prioridade especial, nas quais são concedidos pontos adicionais para compensar a subestimação do risco:
- Hepatocarcinoma (câncer de fígado)
- Ascite refratária
- Encefalopatia hepática grave
- Coceira intratável (prurido)
- Colangite de repetição
- Polineuropatia amiloidótica familiar
- Síndrome hepatopulmonar
Pacientes em insuficiência hepática aguda ou com não funcionamento primário do enxerto após transplante têm prioridade como urgência nacional.
7. Conclusão: a importância do acompanhamento especializado
O escore MELD revolucionou a forma como o sistema de transplantes prioriza os pacientes. Porém, sua interpretação exige conhecimento médico especializado, considerando não apenas os números, mas também a complexidade clínica de cada caso.
O Dr. Marcelo Souto realiza avaliações detalhadas para transplante de fígado, considerando as diretrizes técnicas e os aspectos individuais de cada paciente.
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