Rejeição após o transplante de fígado: como ocorre, como prevenir e quando suspeitar

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Dr. Marcelo Souto

A rejeição é um dos principais desafios no seguimento de pacientes que passaram por transplante de fígado. Trata-se de uma resposta do sistema imunológico que reconhece o novo órgão como estranho e desencadeia um processo de ataque progressivo ao enxerto.

Neste artigo, o Dr. Marcelo Souto, especialista em Cirurgia do Aparelho Digestivo, explica como ocorre a rejeição, quais os principais medicamentos utilizados para preveni-la, os sintomas que devem servir de alerta e como é feito o manejo dessa complicação.


Tempo de leitura: 7 minutos


Índice de tópicos

  1. O que é rejeição após transplante de fígado
  2. Por que o fígado tem menor risco de rejeição
  3. Quais medicamentos evitam a rejeição
  4. Sintomas de rejeição aguda
  5. Diagnóstico e tratamento
  6. Possibilidade de reduzir imunossupressores
  7. Conclusão

1. O que é a rejeição após transplante de fígado

A rejeição ocorre quando as células de defesa do paciente identificam o órgão transplantado como um corpo estranho. Isso se dá por diferenças nas moléculas de superfície celular (antígenos), que ativam o sistema imune. O processo, se não controlado, leva ao ataque progressivo e potencialmente destrutivo ao novo fígado.


2. Por que o fígado tem menor risco de rejeição

Comparado a outros órgãos como o rim, o fígado costuma provocar uma resposta imune mais branda. Por isso, antes do transplante, exige-se menos exames de compatibilidade (como HLA e prova cruzada) e, após o transplante, as doses de imunossupressores tendem a ser menores.

Historicamente, a rejeição foi um dos principais entraves para o sucesso dos transplantes. Hoje, com esquemas imunossupressores eficazes, essa complicação é amplamente controlável.


3. Quais medicamentos evitam a rejeição

O esquema imunossupressor é composto por duas a três drogas principais, que atuam em diferentes vias do sistema imune:

• Corticoides (Prednisona)

Ação anti-inflamatória ampla. Suprime adesão de anticorpos, regula mediadores inflamatórios. Pode aumentar o risco de infecções fúngicas (Candida, Aspergillus), virais (citomegalovírus) e bacterianas.

• Inibidores da calcineurina (Tacrolimus, Ciclosporina)

Impedem a ativação de linfócitos T, bloqueando a produção de interleucina-2 (IL-2). Associados a efeitos como hipertensão e diabetes.

• Antimetabólitos (Micofenolato)

Interferem na síntese de DNA das células imunes. Podem causar dor abdominal e queda nas contagens de células sanguíneas.

• Inibidores da mTOR (Everolimus)

Atuam na transdução de sinal intracelular. Possuem efeito colateral sobre lipídeos e cicatrização.

A escolha e combinação dependem do perfil do paciente, histórico de rejeições e tolerância aos efeitos adversos.


4. Sintomas de rejeição aguda

Os sintomas mais comuns que devem acender o alerta são:

  • Febre
  • Mal-estar geral
  • Dores articulares
  • Dor abdominal
  • Icterícia (pele e olhos amarelados)

Não são sintomas exclusivos da rejeição e podem se confundir com infecções. Por isso, é importante realizar exames laboratoriais e de imagem. Muitas vezes, é necessária uma básica hepática (básica do fígado) para confirmar o diagnóstico.


5. Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico de rejeição é feito com base em:

  • Exames de sangue
  • Ecografia hepática
  • Básica do fígado

O tratamento geralmente inclui altas doses de corticoides e, se necessário, ajustes na combinação de imunossupressores.


6. Possibilidade de reduzir imunossupressores

Com o passar do tempo, é possível reduzir gradualmente a medicação imunossupressora. Nos primeiros seis meses, pode-se retirar a prednisona. Em muitos casos, ao longo dos anos, o paciente pode permanecer com apenas uma droga ou, eventualmente, suspender todas, conforme avaliação médica.

Reduções temporárias também podem ocorrer diante de:

  • Infecções graves
  • Diagnóstico de novo câncer

Nesses casos, os imunossupressores são ajustados cuidadosamente para equilibrar risco de rejeição e controle da complicação.


7. Conclusão

A rejeição é uma possível complicação após o transplante de fígado, mas hoje é amplamente controlada com o uso de imunossupressores modernos. O acompanhamento regular com equipe especializada, a adesão às medicações e a atenção aos sinais de alerta são fundamentais para garantir o sucesso do transplante a longo prazo.


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