Metástases no fígado: quando a ressecção hepática pode aumentar a sobrevida

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Dr. Marcelo Souto

O fígado é um dos órgãos mais frequentemente acometidos por metástases de diferentes tipos de câncer. Tumores originados em órgãos como intestino, estômago, pâncreas, mama e pulmão podem se espalhar para o fígado por meio da corrente sanguínea ou do sistema linfático.

Embora a presença de metástases represente uma fase mais avançada da doença, isso não significa necessariamente ausência de opções terapêuticas. Em alguns casos, especialmente quando as lesões estão restritas ao fígado, a cirurgia para remoção das metástases pode aumentar significativamente a sobrevida e, em situações selecionadas, oferecer possibilidade de cura.

Neste artigo, o Dr. Marcelo Souto, especialista em cirurgia do aparelho digestivo, explica o que são metástases hepáticas, quais tumores costumam atingir o fígado e em quais situações a cirurgia pode fazer parte do tratamento.

Tempo estimado de leitura

10 a 12 minutos

Índice de tópicos

  1. O que são metástases
  2. Por que o fígado é um órgão frequentemente acometido
  3. Principais tumores que causam metástases hepáticas
  4. Como as metástases no fígado são diagnosticadas
  5. Quando a cirurgia pode ser indicada
  6. O que é a ressecção hepática
  7. Outras opções de tratamento além da cirurgia
  8. Tratamento multidisciplinar das metástases hepáticas
  9. Resultados da cirurgia e expectativa de sobrevida
  10. Conclusão

O que são metástases

Metástase é o termo utilizado para descrever a disseminação de células cancerígenas de um tumor original para outras partes do corpo.

Esse processo ocorre quando células tumorais se desprendem do tumor primário e entram na circulação sanguínea ou no sistema linfático. Essas células podem então se implantar em outros órgãos e formar novos tumores.

As metástases mantêm as características do tumor original. Por exemplo, quando um câncer de intestino se espalha para o fígado, a lesão hepática continua sendo considerada metástase de câncer colorretal, e não câncer primário do fígado.

Por que o fígado é um órgão frequentemente acometido

O fígado possui características anatômicas e fisiológicas que o tornam particularmente suscetível ao desenvolvimento de metástases.

Uma das principais razões é o fato de que o fígado recebe grande quantidade de sangue proveniente do sistema digestivo através da veia porta.

Essa circulação faz com que células tumorais provenientes de órgãos como:

  • intestino
  • estômago
  • pâncreas
  • vesícula biliar

Além disso, o fígado possui extensa rede vascular, o que facilita a implantação e crescimento dessas células tumorais.

Principais tumores que causam metástases hepáticas

Diversos tipos de câncer podem gerar metástases no fígado. Entre os mais comuns estão:

Câncer colorretal

É a causa mais frequente de metástase hepática. Uma parcela significativa dos pacientes com câncer de cólon ou reto pode desenvolver lesões secundárias no fígado ao longo da evolução da doença.

Câncer de pâncreas

Tumores pancreáticos avançados frequentemente apresentam disseminação para o fígado.

Câncer de estômago

O câncer gástrico também pode gerar metástases hepáticas, principalmente em estágios avançados.

Câncer de mama

Embora seja um tumor originado fora do sistema digestivo, também pode atingir o fígado em alguns pacientes.

Câncer de pulmão

Outra neoplasia que pode se disseminar para o fígado.

Cada tipo de tumor apresenta comportamento biológico diferente, o que influencia na escolha do tratamento.

Como as metástases no fígado são diagnosticadas

O diagnóstico das metástases hepáticas geralmente ocorre por meio de exames de imagem.

Os métodos mais utilizados incluem:

Tomografia computadorizada

Permite avaliar o tamanho, número e localização das lesões hepáticas.

Ressonância magnética

Oferece grande precisão na caracterização das lesões no fígado.

PET-CT

Em alguns casos, pode ajudar a identificar metástases em outras partes do corpo.

Exames laboratoriais

Marcadores tumorais e testes de função hepática também podem auxiliar na avaliação.

Esses exames são fundamentais para definir a estratégia terapêutica mais adequada.

Quando a cirurgia pode ser indicada

A cirurgia para remoção das metástases hepáticas pode ser considerada em pacientes selecionados.

Entre os principais critérios avaliados estão:

Número e localização das metástases

As lesões precisam ser tecnicamente removíveis sem comprometer a função do fígado.

Preservação de fígado saudável

É necessário garantir que parte suficiente do fígado permaneça após a cirurgia.

Ausência de doença disseminada

A presença de metástases extensas em outros órgãos pode modificar a estratégia terapêutica.

Quando esses critérios são atendidos, a cirurgia pode oferecer benefícios importantes em termos de sobrevida.

O que é a ressecção hepática

A ressecção hepática é a cirurgia realizada para remover parte do fígado que contém as metástases.

Esse procedimento pode envolver:

  • retirada de segmentos específicos do fígado
  • hepatectomia parcial
  • remoção de múltiplas lesões

Uma característica importante do fígado é sua capacidade de regeneração. Isso permite que parte do órgão seja removida sem comprometer sua função, desde que haja quantidade suficiente de tecido saudável.

A cirurgia hepática é considerada um procedimento complexo e deve ser realizada por equipes experientes.

Outras opções de tratamento além da cirurgia

Nem todos os pacientes com metástases hepáticas são candidatos à cirurgia.

Nesses casos, outras estratégias podem ser utilizadas.

Ablação por radiofrequência

Técnica que utiliza calor para destruir as células tumorais.

Quimioterapia sistêmica

Pode reduzir o tamanho das metástases ou controlar a progressão da doença.

Terapias alvo e imunoterapia

Dependendo do tipo de tumor, essas terapias podem ser indicadas.

Em alguns casos, essas abordagens podem ser utilizadas antes da cirurgia, com o objetivo de tornar as metástases operáveis.

Tratamento multidisciplinar das metástases hepáticas

O tratamento das metástases hepáticas geralmente envolve uma abordagem multidisciplinar.

A equipe costuma incluir:

  • cirurgião do aparelho digestivo
  • oncologista clínico
  • radiologista
  • gastroenterologista
  • especialistas em radiologia intervencionista

Essa integração entre diferentes especialidades permite definir a estratégia mais adequada para cada paciente.

Resultados da cirurgia e expectativa de sobrevida

Nas últimas décadas, os resultados da cirurgia para metástases hepáticas melhoraram de forma significativa.

Em pacientes adequadamente selecionados, estudos mostram que a sobrevida em cinco anos pode ultrapassar 40% a 50%, especialmente em casos de metástases provenientes do câncer colorretal.

Esses resultados demonstram que, em determinadas situações, a cirurgia pode oferecer benefícios substanciais e até mesmo possibilidade de tratamento curativo.

Conclusão

As metástases no fígado representam um desafio importante no tratamento do câncer, mas não significam necessariamente ausência de opções terapêuticas.

Em pacientes selecionados, a cirurgia hepática pode desempenhar papel fundamental no controle da doença e no aumento da sobrevida.

O avanço das técnicas cirúrgicas e das terapias oncológicas tem ampliado as possibilidades de tratamento para pacientes com metástases hepáticas.

O Dr. Marcelo Souto atua no diagnóstico e tratamento das doenças do aparelho digestivo, incluindo avaliação especializada de tumores hepáticos e metástases no fígado.

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